Modo IA do Google envia tráfego em 69% das consultas transacionais; o que isso significa?

Tempo de leitura: 6 minutos

Novos testes mostram que o Modo IA do Google ainda gera tráfego: 69% dos usuários clicam em sites ao buscar serviços com intenção transacional.

Logo nas primeiras semanas de discussão sobre o Modo IA do Google, instalou-se no mercado um medo quase automático: “a IA vai matar o tráfego”.

É compreensível, afinal, toda mudança grande no Google mexe com previsões, modelos de negócio e estratégias inteiras.

Mas, quando olhamos além do ruído, os dados contam uma história diferente. Um novo estudo de UX realizado com usuários reais, explorando situações de busca transacional, traz informações que desmontam parte dessa narrativa. E mais: aponta para uma mudança estrutural no SEO, especialmente para quem depende de buscas locais e serviços.

E é exatamente isso que vamos destrinchar aqui: o que o estudo descobriu, por que isso importa e como empresas e prestadores de serviço devem se preparar.

Por que esse estudo importa para o SEO atual

A maioria dos testes divulgados até agora sobre o Modo IA avaliava buscas informacionais, como “o que é”, “como fazer” ou “qual a diferença entre”. Nesses casos, sim, a IA costuma entregar a resposta completa — e o clique pode desaparecer.

Mas essa não é a realidade de um usuário que está prestes a contratar um dentista, buscar um dermatologista, fazer botox, procurar um encanador ou marcar uma consulta urgente, de acordo com pesquisa Search Engine Land.

Isto é, quando existe intenção de compra, o comportamento muda. E o novo estudo se dedicou justamente a esse cenário.

Foram 52 participantes nos EUA e Canadá, em mais de 22 horas de interações, realizando tarefas reais de busca por serviços. O objetivo: medir se a IA bloqueia ou não o clique em buscas que antecedem uma contratação.

O resultado surpreende — e muda a forma como pensamos o futuro do SEO.

69% das buscas transacionais no Modo IA geram tráfego

O dado mais forte do estudo: 69% das sessões no Modo IA terminaram em um clique para um site.

Isso significa que, ao contrário do medo inicial, o Modo IA não rouba todos os acessos quando o usuário está perto de converter. Pelo contrário: ele cria um ponto de partida.

Outro dado importante: apenas 27% dos usuários disseram estar “prontos para decidir” apenas com o resumo da IA. A maioria ainda quer verificar informações diretas, seja no site da empresa, seja em avaliações ou perfis externos.

Isso revela um padrão claro: a IA não fecha a jornada, ela apenas organiza o início.

E isso tem implicações enormes. Entre elas:

  • os cliques continuam existindo;
  • o tráfego que permanece tende a ser qualificado, porque o usuário já está avançado na intenção;
  • empresas locais continuam tendo espaço para competir.

O Modo IA não elimina a etapa de comparação — ele acelera essa etapa.

Estar em primeiro lugar deixa de ser tudo ou nada

Esse talvez seja o insight mais transformador do estudo.

Por três décadas, SEO foi um jogo de “winner takes all”: quem aparecia em primeiro capturava a maior parte do tráfego.

No Modo IA, isso muda. E muito.

Segundo o estudo, 89% dos participantes clicaram em mais de uma empresa antes de tomar uma decisão.

Em média, foram 3,7 resultados visitados por sessão — um número bem acima do comportamento histórico da SERP clássica.

Isso cria um novo paradigma:

O objetivo deixa de ser “ficar em primeiro” e passa a ser “entrar no conjunto de consideração”.

Ou seja, se você estiver entre os 3 a 5 primeiros resultados, você tem jogo. E jogo real.

Na prática:

  • a briga por posição única perde força;
  • consistência importa mais que supremacia;
  • ocupar espaço nos resultados significa competir, não monopolizar.

Para negócios locais, isso é excelente notícia. O topo se democratiza.

84% dos usuários rolam a página — o mito do “acima da dobra” cai

Por anos, acreditamos que o usuário médio não rola a página. Isso moldou estratégias, layouts, hierarquia de informações.

Mas o comportamento do Modo IA é outro.

84% das pessoas rolaram a página para investigar mais opções. Apenas 16% decidiram usando apenas o conteúdo que aparece primeiro.

Por quê?

Porque o usuário vê o Modo IA como uma lista curada, e não como uma resposta pronta. Ele quer comparar, quer explorar.

Isso nos leva a dois aprendizados importantes:

  • conteúdo e informações relevantes precisam aparecer desde o início, mas
  • não dependem exclusivamente da dobra para influenciar o clique.

Se a IA te posiciona entre as opções iniciais, você está no jogo. Mas se sua reputação (e suas avaliações) brilham logo abaixo, melhor ainda.

Avaliações são tudo. Fotos… nem tanto.

Essa é uma descoberta que reforça algo que profissionais de SEO local já observam há anos: prova social domina a decisão.

O estudo mostrou que:

  • apenas 21% dos usuários olharam fotos;
  • para buscas relacionadas a botox, esse número subiu só para 24%;
  • 74% dos usuários leram avaliações antes de decidir.

Em outras palavras:

No Modo IA, texto pesa mais que imagem. Reputação pesa mais que estética.

Depoimentos, volume de avaliações, consistência de feedback, comentários detalhados — tudo isso vale mais que uma galeria bonita.

Para quem trabalha com serviços locais, isso significa:

  • manter avaliações frescas;
  • responder comentários;
  • criar processos internos para solicitar reviews;
  • gerenciar reputação de forma ativa e transparente.

O clique nasce da confiança, não da foto.

O Modo IA não vai absorver todo o seu tráfego — especialmente o de maior valor

Com base em todos os dados, a conclusão central é clara: o Modo IA não destrói o tráfego transacional. Ele até fortalece sua qualidade.

Isso porque:

  • quem está pronto para contratar precisa verificar empresas reais;
  • usuários confiam, mas não delegam totalmente à IA;
  • serviços exigem comparação entre opções concretas.

O impacto maior continua sendo nas buscas informacionais — aquelas que vêm de topo de funil e tutoriais.

Mas, para negócios que dependem de SEO local e serviços, o cenário é menos ameaçador e talvez até mais eficiente.

O novo objetivo do SEO passa a ser:

Deixar de obsessão por “1º lugar” e passar a disputar presença consistente no conjunto de opções.
E, principalmente: investir pesadamente em prova social.

Esse movimento já estava acontecendo, mas o Modo IA apenas acelerou.

O que muda na prática para equipes de SEO e marketing

A partir dos insights do estudo, algumas diretrizes estratégicas se fortalecem:

Priorize reputação acima de estética

Avaliações são seu fator nº 1 de clique. É preciso tratá-las como parte central do SEO.

Otimize para aparecer entre os cinco primeiros

Ser considerado é mais importante do que ser o primeiro.

Melhore informações de perfil e atributos da empresa

A IA se alimenta de dados estruturados e consistentes. Isso inclui:

  • categorias corretas;
  • horário de funcionamento;
  • serviços atualizados;
  • descrições claras;
  • citações em diretórios confiáveis.

Garanta profundidade e clareza no conteúdo

O conteúdo precisa ser fácil de ler, direto, demonstrar autoridade e estar tecnicamente acessível às IAs generativas.

Pense no usuário que está perto de comprar

A experiência real de contratação agora vale mais do que nunca — porque a IA filtra, mas não decide por ele.

O futuro do SEO no Modo IA do Google

O estudo nos mostra que a mudança não é o fim de nada — é uma reconfiguração.

O SEO deixa de ser uma corrida de um único vencedor.
Vira uma disputa por consideração, por credibilidade, por presença.

O jogo muda, mas continua sendo jogo.
E, para muitos segmentos, ele se torna até mais justo.

Quer adaptar sua estratégia de SEO para esse novo cenário e aparecer com força no Modo IA do Google? A Bloomin ajuda você a estruturar conteúdo, reputação e presença digital para conquistar o novo usuário da busca generativa. Fale com nossos especialistas.

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