Pela primeira vez, a Temu superou o Mercado Livre em acessos web no Brasil, marcando uma virada no cenário do e-commerce
A plataforma chinesa Temu acaba de alcançar um feito inédito no mercado brasileiro de e-commerce: ultrapassou o Mercado Livre em número de acessos via navegador em maio. Esta é a primeira vez que a gigante do varejo online perde a liderança nesse tipo de métrica, desde o início dos levantamentos no setor.

Apesar do novo posicionamento, o Mercado Livre ainda mantém a liderança geral em visitas totais, somando acessos via site e aplicativo. Ao todo, são 50 milhões de visitas a mais do que a Temu nesse recorte mais abrangente.
Outro número que impressiona é o volume de visitas que a Temu recebeu: 303 milhões. Isso representa mais do que o dobro da soma de acessos de suas principais concorrentes asiáticas Shein e Aliexpress, que juntas alcançaram 153,8 milhões de visitas.
Esse crescimento agressivo da Temu tem impacto direto em uma tendência clara no setor: o aumento do interesse por produtos importados. De fato, o segmento de importados foi o único a registrar crescimento contínuo e atingir o maior número de acessos dos últimos 12 meses.
No Brasil há apenas um ano, a Temu já superou todos os seus concorrentes asiáticos diretos e agora avança rumo à liderança geral do setor — atualmente nas mãos do Mercado Livre. O grande desafio da plataforma, no entanto, será manter esse desempenho e consolidar sua posição, algo que a Shopee, por exemplo, já conseguiu fazer com consistência nos últimos anos.
O caso da Temu exemplifica o dinamismo do setor de e-commerce no Brasil e como a competitividade global está cada vez mais acirrada.
Com estratégias de preços agressivos, campanhas massivas e uma proposta de valor clara para o consumidor digital, a marca chinesa vem transformando o comportamento de compra dos brasileiros.
Resta observar como o Mercado Livre e outras plataformas líderes responderão a esse novo cenário.
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Conheça a Temu, o mais novo “big player” do e-commerce
Embora tenha ganhado os holofotes recentemente, a Temu não é exatamente uma novata no cenário global. A plataforma faz parte do conglomerado chinês PDD Holdings, o mesmo responsável pelo sucesso do Pinduoduo, um dos maiores e-commerces da China.
O nome “Temu” vem de “Team Up, Price Down” — um slogan que resume bem sua proposta: unir poder de compra com preços extremamente competitivos.
Lançada nos Estados Unidos em setembro de 2022, a Temu chegou ao Brasil no primeiro semestre de 2023, com uma operação voltada quase exclusivamente para importações diretas.
Desde o início, sua estratégia foi clara: atrair o consumidor pela oferta quase ilimitada de produtos e pelos preços que desafiam até os marketplaces mais estabelecidos. E funcionou.
Em poucos meses, a empresa viralizou nas redes sociais, especialmente com vídeos de unboxing e avaliações no YouTube e TikTok, o que fortaleceu sua presença digital.
Mas a Temu vai além de ser apenas uma “loja de preço baixo”. Seu diferencial está em como estrutura toda a experiência de compra.
A navegação no site e no aplicativo é intuitiva, o layout é otimizado para o público ocidental, e o processo de pagamento é simplificado — com opções locais como Pix e boleto bancário.
Há ainda uma política de frete grátis e devoluções facilitadas, o que reduz as barreiras para o primeiro teste de compra.
Outro ponto-chave é o investimento em logística internacional. Mesmo com prazos de entrega que ainda variam bastante, a empresa está constantemente ajustando suas operações para reduzir o tempo entre pedido e recebimento.
Isso mostra que, além da agressividade promocional, há uma preocupação real em estruturar uma operação sólida no país.
A Temu tem se posicionado como uma alternativa acessível, mas confiável, para quem busca variedade, preço e, cada vez mais, segurança na hora de importar.
Ao contrário de algumas concorrentes que chegaram ao Brasil apostando apenas em campanhas pontuais, ela vem construindo uma base de usuários recorrente, que confia na plataforma e retorna para novas compras.
É cedo para dizer se a Temu será capaz de manter esse ritmo, mas uma coisa é certa: ela chegou para mudar a lógica do jogo e forçar os concorrentes a se reinventarem.
Em um mercado acostumado a poucas opções dominantes, esse frescor competitivo pode ser exatamente o que o consumidor brasileiro precisava.






