Uma pesquisa experimental conduzida pela Universidade da Pensilvânia e pela Northeastern University coloca em xeque o discurso do Google. Segundo os autores, o AI Mode reduz cliques para sites e deixa os usuários menos satisfeitos com a busca.
O artigo, ainda em versão preliminar e publicado em agosto de 2026, se chama AI in Search Reduces Publisher Referrals Without Improving User Experience. O tema ganhou repercussão após a análise do Search Engine Journal.
Como o experimento foi feito
Os pesquisadores recrutaram 1.444 voluntários e acompanharam as buscas de 1.100 participantes durante sete dias. Desses, 956 responderam a um questionário final, que mediu percepções como confiança, utilidade e satisfação com o Google.
O monitoramento contou com uma extensão de navegador que registrava pesquisas, cliques e capturas das páginas de resultado. Assim, era possível saber quando os AI Overviews apareciam e se o usuário seguia ou não para um site externo.
Cada voluntário foi distribuído, de forma aleatória, em um destes três cenários:

O teste teve percalços. 94,7% das buscas do grupo AI Mode foram redirecionadas com sucesso, mas uma mudança no código dos AI Overviews, feita pelo próprio Google durante o estudo, fez a ocultação cair para 51,1% no grupo sem IA.
Menos cliques e menos buscas
O dado mais sensível para quem depende de tráfego orgânico está no CTR. Quem usou o AI Mode clicou bem menos em sites externos. Já a retirada dos AI Overviews elevou os cliques, sem qualquer perda perceptível na experiência de pesquisa.
Os autores esperavam que o modo com IA estimulasse mais pesquisas, mas aconteceu o contrário. Os participantes no AI Mode fizeram menos sessões de busca por dia, e o efeito foi ainda mais intenso entre os usuários frequentes do Google.
Na prática, o estudo aponta que os recursos de IA funcionam como substitutos da visita ao site:
- Retenção dentro do Google: com respostas que dispensam o clique
- Menor descoberta de fontes externas: o oposto do que a empresa promete
- Impacto maior em quem pesquisa muito: justamente o público mais engajado
Usuários foram buscar alternativas
Outro achado chama atenção. Forçados a usar o AI Mode, parte dos voluntários passou a pesquisar em concorrentes como Bing, DuckDuckGo e Yahoo, além de declarar maior intenção de migrar para o Bing no futuro.
Segundo os pesquisadores, o AI Mode “aumentou significativamente a fração de usuários pesquisando em um buscador concorrente”.
Na percepção dos participantes, o AI Mode reduziu a confiança no Google e fez a busca parecer menos útil, menos satisfatória e menos relevante. Em pesquisas sobre notícias, porém, não houve diferença clara entre os dois modelos.
O contraste com o discurso oficial do Google
Executivos como Sundar Pichai e Liz Reid vêm afirmando que os usuários adoram o AI Mode e que a empresa envia mais tráfego à web do que nunca. Os dados do experimento apontam na direção oposta, reforçando o que muitos publishers já percebem.
| Discurso do Google |
Evidência do estudo |
| Usuários preferem o AI Mode |
Satisfação e confiança caíram no grupo AI Mode |
| A IA envia mais tráfego à web |
Cliques externos diminuíram com o AI Mode |
| Engajamento com a busca cresce |
Sessões diárias de busca foram reduzidas |
O que muda para a estratégia de busca das empresas
Para marcas B2B, a consequência é direta. Se a IA retém o usuário dentro do Google, disputar apenas posições nos links azuis deixa de bastar. Torna-se essencial ser citado dentro da resposta gerada pela própria ferramenta.
É nesse ponto que entram as técnicas de GEO para aparecer nas LLMs, voltadas a colocar a marca em respostas do Gemini, ChatGPT e Perplexity. O foco migra de ranquear páginas para conquistar menções e autoridade.
Algumas frentes ganham peso nesse novo cenário:
- Conteúdo com dados verificáveis e autoria identificada
- Dados estruturados e arquitetura técnica bem resolvida
- Monitoramento de menções em respostas geradas por IA
- SEO clássico consistente, que segue como base da visibilidade
Uma boa estratégia de Generative Engine Optimization rende mais quando nasce de uma base orgânica sólida e bem estruturada.
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