A busca por IA não aposentou o SEO técnico. Em entrevista conduzida por David Iwanow, John Mueller, do Google, disse que os sistemas de IA se apoiam em fundamentos clássicos de SEO e que a base técnica deve continuar importante.
A conversa ganhou destaque no Search Engine Journal em 2 de novembro de 2026. O recado central é direto: a ascensão da busca por IA não muda, necessariamente, o que faz uma estratégia de SEO dar certo.
GEO e AEO estão mortos, segundo o Google?
A pergunta de Iwanow veio num contexto específico. Mueller já tinha dito que não há motivo para criar páginas em markdown só para a busca por IA do Google, e o entrevistador quis saber se AEO e GEO estariam mortos.
A resposta foi no sentido oposto. Para Mueller, os sistemas de IA se constroem sobre o SEO, e por isso ele espera que a parte técnica siga muito relevante. Não há sinal de que o trabalho de base perdeu valor.
“Especialmente o SEO técnico vai continuar muito relevante.”
John Mueller, Google
O que muda no rastreamento das IAs?
Há diferenças, claro. Segundo Mueller, as IAs rastreiam os sites de forma um pouco diferente, com objetivos distintos:
- Treinamento: alguns robôs coletam dados para treinar modelos.
- Conteúdo recente: outros buscam informações mais frescas.
Ele vê isso como outra variação do SEO técnico, e não como o fim das práticas tradicionais.
Listicles ainda funcionam para aparecer nas IAs?
Iwanow também perguntou sobre os listicles, aqueles rankings de melhores empresas usados para influenciar chatbots. Mueller não os trata como spam por definição, mas lembrou que o formato precisa agregar valor a quem lê.
O alerta veio em seguida. Se a estratégia inteira depende de listicles, o sistema pode desligar esse atalho um dia, e sobra pouco. Para ele, o mais crítico é construir uma base sólida e estável para o site.
Como evitar agências com táticas duvidosas?
Sobrou recado para quem contrata. Mueller lembrou que táticas duvidosas não são novidade: antes era keyword stuffing, agora há versões para IA. Por isso, vale questionar o que os fornecedores estão fazendo com o seu site.
No comentário que fecha a matéria, Roger Montti nota que SEOs recém-chegados estão redescobrindo táticas antigas, como cloaking, diretórios e links recíprocos, enquanto a experiência do usuário e a promoção do site seguem sendo o que realmente sustenta resultados.
Aparecer nas respostas de IA depende de ranquear no Google?
Um levantamento da Ahrefs, atualizado em março de 2026 com 863 mil palavras-chave e 4 milhões de URLs, mostra que 38% das páginas citadas nos AI Overviews também estão no top 10 do Google. Em julho de 2025, eram 76%.
| Posição no Google |
Estudo de julho de 2025 |
Estudo de março de 2026 |
| Top 10 |
76,1% |
38% |
| Posições 11 a 100 |
9,5% |
cerca de 31% |
| Fora do top 100 |
14,4% |
cerca de 31% |
A própria Ahrefs avisa que melhorou sua metodologia de coleta, então os dois estudos não são diretamente comparáveis. Ainda assim, o dado indica que a citação em IA não depende só da primeira página, e que a página precisa, antes de tudo, ser encontrada e compreendida.
Por que isso pesa mais para empresas B2B e industriais?
Em setores B2B e industriais, o cenário costuma ser outro. Muitos têm sites legados, com pouca verba de desenvolvimento, e o SEO técnico acaba ficando para depois. A fala de Mueller dá um argumento a mais para tirar essa pauta da gaveta.
Na rotina da Bloomin, isso aparece em diagnósticos de blog no Search Console e em auditorias técnicas. A observação recorrente é que clientes que investem nos fundamentos sobem mais rápido, inclusive em visibilidade nas respostas de IA.
Por onde começar a revisar a base técnica do site?
Antes de pensar em qualquer tática nova para IA, vale checar os pilares que sustentam as duas frentes:
- Indexação e rastreamento: o Google e as IAs conseguem acessar suas páginas?
- Performance: o site carrega rápido e funciona bem no celular?
- Dados estruturados: o conteúdo está marcado de forma que as máquinas entendam?
- Arquitetura de conteúdo: as páginas se conectam de forma lógica e sem canibalização?
A declaração de Mueller confirma uma prática que a Bloomin já adota. Correr para otimizar para IA sem revisar os fundamentos é gastar verba onde o retorno depende de uma base que ainda não está pronta.
Quer saber se o seu site está pronto para ranquear no Google e ser citado pelas IAs? Peça um diagnóstico com a equipe da Bloomin e descubra por onde começar a fortalecer a sua base.